Architexts#5

Rafael Moneo

Nascido na espanha, concluiu o curso de arquitetura em 1961 em Madrid, tem em seu currículo vários projetos representativos e muitos prêmios, entre eles o Prêmio Pritzker em 1996. Atualmente é uma figura fundamental na parte conceitual e teórica da arquitetura.

“Antes mesmo de ser traduzido para o português, o livro Inquietação teórica e estratégia projetual, de Rafael Moneo, era peça obrigatória para os estudiosos do assunto. No volume, Moneo analisa de forma simples e objetiva a produção de oito arquitetos (ou equipes) da contemporaneidade. O resultado é fruto das aulas que ele ministrou no início dos anos 1990 em Harvard. “Sempre acreditei que as escolas de arquitetura deveriam prestar atenção no cenário contemporâneo, nos arquitetos que ainda não passaram ao Olimpo dos manuais”, explica o espanhol na abertura. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Moneo afirmou que, se fizesse nova seleção, incluiria Kazuyo Sejima e Steven Holl. Sem querer contrariá-lo, na minha lista ele seria o nono. Utilizando seu método – primeiro apresentar o autor e depois analisar algumas obras mostrando imagens -, vamos brincar de ser Moneo, navegando por sua própria obra.” (fonte)

Projetos de destaque:

Prefeitura de Murcia (1991/98). A construção divide espaço na praça central da cidade espanhola com a catedral e o palácio do cardeal, duas construções de valor histórico. Ciente de que não poderia encomendar um edifício qualquer, a prefeitura realizou um concurso, vencido por Alberto Noguerol. Após polêmicas, a obra foi paralisada e Moneo convocado para concluí-la. Havia um espaço entre o volume construído e a praça, justamente a interface necessária para criar uma nova fachada. Moneo de início se perguntou: “Como criar essa cara?”. E ele mesmo responde: “Entendemos que a praça deve manter o espírito celebrado do barroco e por isso nossa proposta se encaminha para desenhar um edifício que queira ser um espectador, sem adquirir a condição de protagonista que a catedral e o palácio do cardeal possuem. Mas não se trata de um espectador qualquer. Ele representará o poder civil”. Sem abrir uma porta para a praça – “o edifício está nela” -, Moneo criou uma fachada hipnotizante, que rejeita a simetria, para não competir com as ordens clássicas.

Do ponto de vista formal, o mais expressivo projeto de Moneo é o Auditório Kursaal (1990/99), em San Sebastián, no litoral da Espanha. Situado em frente da praia e junto à foz de um rio, o terreno fica isolado da cidade-quarteirão. Por isso, o arquiteto propôs duas caixas de vidro inclinadas, dois objetos autônomos que se colocam como transição entre a massa construída e o imenso vazio da paisagem marítima. Ambos têm como suporte uma plataforma, ou seja, funcionam como peças isoladas, contendo auditórios de tamanhos diferentes. Pensando na relação plataforma/volumes isolados, é inevitável a lembrança da Ópera de Sydney: os volumes de Utzon, também diante da água e destinados a salas de espetáculos, organizam-se através do volume de embasamento. O projeto é, além de uma resposta ao entorno, a proposta contida e inteligente de Moneo diante da arquiteturaespetáculo. Para ele, “a arquitetura não deve impor sua presença ansiosamente”. Mesmo criando uma obra protagonista, o arquiteto insiste na coadjuvação: “A desembocadura do rio deve continuar visível, a cidade não deve fazê-lo desaparecer”.

O mais complicado edifício projetado pelo espanhol foi a ampliação do Museu do Prado (1996/2007), em Madri. Resultado de um concurso, a proposta se alongou por uma década, cheia de polêmicas e embates entre o governo, a sociedade civil, a direção do museu e o arquiteto. O anexo, que se coloca, mais uma vez, como coadjuvante da cena, está implantado ao lado do Claustro dos Jerônimos e se conecta ao prédio principal pelo subsolo. A paciência e a persistência com que Moneo se portou no processo demostram um de seus traços como projetista: o respeito ao cliente e à comunidade. Para ele, é importante dotar o projeto de “capacidade de sobrevivência”, e sem o cliente é impossível que isso aconteça. “É o cliente que garantirá a durabilidade da obra, seu êxito e permanência”, diz. Moneo é um técnico sensível à história da arquitetura, autor de uma obra amparada pelo mundo democrático. “Resisto muitíssimo à ideia de entender o mundo apocalipticamente”, vive dizendo.



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